
“Fugir tem sido uma palavra completamente tentadora diante da minha atual situação. Penso que cometer o ato da fuga, não seria uma péssima ideia. Entende? Acordar amanhã, abrir a porta de casa e sair apenas com um casaco na mala pra não dizer que sai sem nada. Correr pelas ruas sem destino, sem preocupação, pra qualquer lugar distante, sem ter hora pra voltar. Longe dos meus medos, da minha insegurança, das milhares de lembranças que me levam todas as noites de volta ao passado. Passar um ou dois dias fora, sem dormir, sem olhar pra cada rosto que me encara diariamente recheado de preocupação, sem me espantar diante do espelho ao notar cada detalhe que mudou desde o dia que decidi ser independente das poucas migalhas que eu havia conquistado da atenção alheia. Acho que me perdi, essa não é aquela garota determinada que eu costumava ser, acho que morri. De um jeito meio desengonçado só pra não mudar o que de fato eu sou, mas não me sinto viva, aliais, nem sei o que sinto e se é que sinto alguma coisa. Está faltando muito aqui, não sei o que, nem aonde, mas está vazio, alguém foi embora e roubou de mim tudo que eu tinha de melhor. Acho que me esqueceram, me abandonaram sozinha nessa esquina da cidade. Se abrir a bolsa, acho que ainda encontro algumas moedas e um tanto de saudade.“ — Cintia (Hey! I Love)










